terça-feira, 19 de junho de 2012

GP do Canadá


O plano era sair domingo cedo. Queria assistir a corrida em casa. Feriado de quatro dias, estradas cheias, motoristas inexperientes fazendo todo tipo de m... Tínhamos que retornar cedo à São Paulo. Não poderia perder a corrida. Afinal, depois de um GP de Mônaco modorrento como sempre (exceção a excelente corrida do ano passado), a expectativa para Montreal era grande.
Ah, Montreal! Circuito Gilles Villeneuve! Nome muito propício para um circuito fantástico. Montado na Ilha de Notre Dame, construída especialmente para as Olimpíadas de 1976, é uns dos circuitos antigos que dá mais prazer de pilotar. Ao lado de Interlagos, Spa, Mônaco e Suzuka combinam os fatores que desafiam os pilotos, onde o piloto consegue participar com pelo menos uns 20% no desempenho do carro (em algumas pistas a proporção é 90% carro e 10% piloto). Curvas de alta, chicanes agressivas onde os carros devoram as zebras e saltam de um lado ao outro, buscando passar cada vez próximo do muro, até raspar para encontrar o limite. Como no famoso muro dos campeões na entrada da reta de chegada, que tem esse nome por receber bagaçadas de ilustres como Michael Schumacher, Jacques Villeneuve (o filho) e que neste ano, dentre os que deram ali, um sobrinho de campeão. Nos treinos ele entrou de lado na primeira perna da chicane e ao tentar controlar deu traseira no dito cujo, arrebentando o carro do lado direito. Se ele estivesse girando bons tempos seria perdoável, mas Bruno só se arrastou durante todo o fim de semana.
O treino classificatório, aliás, foi disputadíssimo. Em todos os “Qs” a pole mudava de posição a cada carro que passava na linha de chegada por pentelhésimos de segundo.  No Q2 a diferença entre o 1º e o 16º não passou de 01 segundo. No Q3 todos os 10 ficaram dentro de um segundo.

1
Sebastian VETTEL
ALE
Red Bull Renault
1:13.784
2
Lewis HAMILTON
ING
McLaren Mercedes
1:14.087
3
Fernando ALONSO
ESP
Ferrari
1:14.151
4
Mark WEBBER
AUS
Red Bull Renault
1:14.346
5
Nico ROSBERG
ALE
Mercedes
1:14.411
6
Felipe MASSA
BRA
Ferrari
1:14.465
7
Romain GROSJEAN
FRA
Lotus Renault
1:14.645
8
Paul DI RESTA
ESC
Force India Mercedes
1:14.705
9
Michael SCHUMACHER
ALE
Mercedes
1:14.812
10
Jenson BUTTON
ING
McLaren Mercedes
1:15.182
11
Kamui KOBAYASHI
JAP
Sauber Ferrari
1:14.688
12
Kimi RÄIKKÖNEN
FIN
Lotus Renault
1:14.734
13
Nico HÜLKENBERG
ALE
Force India Mercedes
1:14.748
14
Daniel RICCIARDO
AUS
Toro Rosso Ferrari
1:15.078
15
Sergio PÉREZ
MEX
Sauber Ferrari
1:15.156
16
Bruno SENNA
BRA
Williams Renault
1:15.170
17
Pastor MALDONADO
VEN
Williams Renault
1:15.231
18
Heikki KOVALAINEN
FIN
Caterham Renault
1:16.263
19
Vitaly PETROV
RUS
Caterham Renault
1:16.482
20
Jean-Éric VERGNE
FRA
Toro Rosso Ferrari
1:16.602
21
Pedro DE LA ROSA
ESP
HRT Cosworth
1:17.492
22
Timo GLOCK
ALE
Marussia Cosworth
1:17.901
23
Charles PIC
FRA
Marussia Cosworth
1:18.255
24
Narain KARTHIKEYAN
IND
HRT Cosworth
1:18.330

TEMPO 107%
Q1

1:19.887

































Massa, como sempre tomou de Alonso, apesar de andar muito próximo o fim de semana todo e Bruno Senna teve um fim de semana para esquecer. Tá meio desconcentrado com a sombra de Maldonado, que tem sido constantemente mais rápido. Foi de Maldonado a cena mais bacana do treino:



                          


A corrida

A expectativa de uma largada movimentada deixava o momento tenso. Tensão explícita na cara dos chefes de equipe, principalmente de Adrian Newey, criador dos Red Bull.
Porém a largada foi tranquila. Todos mantiveram suas posições. Vettel manteve a ponta e abriu na frente. Rosberg tentou por fora de Webber na primeira chicane e não conseguiu, ficando vulnerável para Massa. Esse foi o principal momento do início da corrida. Massa atacou agressivamente Rosberg que se defendeu ferozmente por duas voltas, até Massa aproveitar o vácuo e o kers na reta para passar e abrir. Rosberg foi ficando para trás com seus pneus precocemente gastos.
Mas na volta seguinte Massa rodou sozinho na primeira curva e perdeu várias posições. Massa não é um piloto de recuperação. Parece que quando algo dá errado ele desanima. Contrário de Alonso que sempre procura ser rápido até a última volta, não importa a posição que estiver. A expressão de Felipe e sua frase para definir seu erro, na entrevista no final da corrida, diz tudo sobre sua situação: “Na verdade, fiz uma grande m...! Peço desculpas ao time pelo meu erro!” Fica claro que ele está ciente que isto só serviu para aumentar ainda mais a gigantesca pressão que vem sofrendo.
Bruno Senna não fez nada e chegou em 17º. Atrás de Maldonado que havia sido punido, largou atrás dele e chegou à sua frente. Sem comentários. Maldonado também não vem conseguindo repetir o desempenho que tinha até sua espetacular vitória na Espanha. Parte por ele e parte por o carro não ter evoluído e já não ter um desempenho parelho com as equipes de ponta.
O meio da corrida foi chato, como disse Jacques Villeneuve na entrevista na TV. Somente nas primeiras paradas houve agito. Vettel perdeu a liderança para Hamilton, que perdeu para Alonso, em um ótimo trabalho de Box da Ferrari e destreza do piloto. Alonso acelerou tudo e mais um pouco na saída dos boxes e tomou a ponta de Hamilton que vinha abrindo a segunda volta dos pneus. Hamilton, claro atacou Alonso. Opa, agora a corrida vai esquentar, pensei. Mas Alonso, definitivamente não é de briga. Hamilton passou com certa facilidade e abriu. Vettel se manteve em terceiro.
Hamilton parou mais uma vez para trocar pneus e voltou em quinto, crente que Vettel e Alonso também parariam. Foi quando foi avisado pelo rádio que Alonso talvez não parasse mais. Aí começou a acelerar. Estava a 16 segundos de Alonso e faltavam dez voltas. Faltando Cinco ele colou e passou fácil Vettel que, sem pneus, não ofereceu resistência. Duas voltas depois passou Alonso e voltou à ponta. Vettel foi pros boxes e Alonso continuou na pista. Faltando duas voltas, os pneus de Alonso acabaram em definitivo e começou a perder posições. Perdeu para Grosjean (2º), para Peres (3º) e até para Vettel (4º), chegando em quinto no final. Massa também tentou esticar a durabilidade dos pneus e perdeu várias posições, sendo obrigado a parar para mais um troca chegando em décimo. Senna chegou em 17º. Precisa melhorar urgente.
Hamilton foi o sétimo vencedor em sete etapas e fez uma bela corrida, comemorando muito no final e comparando com sua primeira vitória, exatamente neste circuito, em 2007 seu ano de estréia. O pódio foi dos mais alegres, pois Romain Grosjean (Lotus) em 2º e Sérgio Perez (Sauber) em 3º chegaram mais longe que esperavam, diferente de alguém que achava que poderia ter ganho e não se contentou com o pódio.
A corrida não foi das melhores mas teve lá suas disputas e raspadas no muro dos campeões. Já a próxima, nas ruas de Valência, Espanha, não desperta muita expectativa. E eu começo a treinar nela virtualmente nesta semana. Até que para pilotar não é ruim.
Esperamos por um oitavo vencedor diferente nesta temporada que tem sido uma das mais espetaculares de todos os tempos. Ainda faltam mais disputas, mas a receita de kers, asa móvel (a do Schumacher travou aberta durante a corrida e ele teve que abandonar) e pneus com desgaste imprevisível tem colaborado para este cenário. Só falta os brasileiros entrarem nesta festa. Basta acelerar e se concentrar somente nisto. Acelerar, comparar com o companheiro de equipe, treinar no simulador e acelerar sem dó, medo ou piedade.
Caso tenham ficado com preguiça de ler, segue abaixo um ótimo resumo da corrida em vídeo.
Até a próxima.





sexta-feira, 25 de maio de 2012

Bem feito!

Quando sonhava em ser jornalista automobilístico a dúvida que me acometia era: será que terei liberdade para escrever a verdade sobre os carros no Brasil? Naquela época (meados da década de 90) a internet estava apenas engatinhando e não havia outros meios de comunicação senão revistas, jornais, rádio e TV. Mas hoje existem os blogs e qualquer um pode expressar suas opiniões. E hoje preciso expressar a minha. Na verdade não é apenas minha opinião, mas sim uma constatação que muitos canais de mídia não têm coragem de abordar a fundo: Os carros nacionais não valem nem a metade do que são cobrados por eles.
O governo acaba de anunciar, mais uma vez, a redução de IPI para carros novos. Aí vejo nos anúncios das montadoras na mídia se vangloriando de conceder descontos de até 10%. O povo, desinformado que é, vai correndo às concessionárias comprar carros, se endividando irresponsavelmente apenas para mostrar sua nova carroça 1.0 para o vizinho ou para os companheiros de trabalho.
Acordem gente! Não foi o governo que teve a ideia de reduzir o imposto para facilitar a compra do bem pela população. Na verdade houve uma pressão das montadoras sobre o governo para que isso acontecesse, uma vez que as vendas de carros novos, principalmente os populares, despencaram. Já existem carros parados nos pátios para até 43 dias de venda.  Esta atitude do governo é leviana e recai sobre ele mesmo, pois a população continuará a achar que o alto preço cobrado pelos carros aqui é só em decorrência do imposto. De quem é a culpa então? Das próprias montadoras! A ganância e a alienação da população brasileira faz com que as montadoras forneçam produtos de baixíssima qualidade com preços maior que carros melhores nos países desenvolvidos. Como podemos pagar mais de US$ 12.000,00 em carroças que sequer possuem ar condicionado e direção hidráulica? Como podem cobrar em torno de US$ 3.000,00 por opcionais como ABS e Air Bag? Estes itens, que serão obrigatórios aqui a partir de 2014, já são muito populares nos carros “básicos” dos europeus, americanos, chineses, mexicanos e até argentinos.
A verdade é que as montadoras exploram e desrespeitam descaradamente o consumidor brasileiro. Nenhuma delas tem coragem de abrir suas planilhas de custo. Certa vez, em visita ao Brasil, o presidente mundial da Honda foi questionado em uma coletiva de imprensa, por que o Civic (um carro popular em todos os mercados menos no Brasil) custa tanto quanto um carro de luxo. Após pensar muito ele respondeu: “Por que os brasileiros pagam”. Depois disso desisti de ter um Civic, que era meu sonho. Nenhum carro vendido aqui vale o quanto custa. Ford Focus, VW Golf, Chevrolet Cruze, Honda Civic, todos os Honda fabricados aqui, Fiat Bravo, Toyota Corolla, Hyundai i30 e Elantra são e sempre foram carros populares de baixo custo nos demais países onde são vendidos. /aqui são considerados carros de luxo. No caso da Hyundai, a Caoa é que comete o crime de vender aqui um carro de mais de R$ 70.000,00 (Elantra) sem se quer ter freios a disco traseiros. Um enorme absurdo que os consumidores engolem, só para aparecer com um modelo recém-lançado.
Já os populares, carroças como Gol GIV, Uno antigo, Celta, Clio, são carros péssimos, inseguros, verdadeiras bombas relógio. Todos foram sumariamente reprovados nos crash test do LatinNcap, o órgão responsável, equivalente ao EuroNcap europeu, que realiza os testes de segurança nos carros fabricados na América Latina. Fora os carros que estão em dia com os modelos fabricados lá fora que foram empobrecidos estruturalmente para serem fabricados aqui, como o Focus e o Nissan March.  Deveriam ser proibidos de vender. Os frotistas, que são os maiores compradores dessas carroças, deveriam por a mão na consciência e reconhecer que colocam a vida de seus funcionários em risco comprando carros tão ruins assim. Acho um absurdo ainda existir carros que não saiam de fabrica sem ar condicionado e direção hidráulica. Nas grandes metrópoles deste país quente, ficar parado no trânsito sem ar condicionado tira a motivação de qualquer um. Pensem nisso, diretores de empresas que possuem frotas de carros populares pelados.
Vamos deixar de ser idiotas e dar um basta nesta farra do boi que as montadoras fazem aqui. Vamos parar de comprar carros, vamos manter nossos carros usados por mais tempo e fazer com que as montadoras sintam o baque. Se grande parte dos consumidores adiarem a compra do carro novo por pelo menos um mês já terá um impacto considerável. Quem sabe assim as montadoras tomem vergonha na cara! Pois o que falta é isso!
 Só para ilustrar, em uma viagem á Europa eu decidi alugar um carro. Pedi à locadora o veículo mais barato e básico que ela tinha. Eles me ofereceram o carro mais simples que tinham: Um VW Golf TDI, com motor diesel turbo de 150cv, câmbio automático, com ar condicionado, direção elétrica.... Pois é....

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Singapore: Bonitinha, mas ordinária


Depois de duas corridonas, em Spa e Monza, a F1 desembarcou na cidade-país de Cingapura. A beleza do circuito é surpreendente. Totalmente iluminado, com prédios high-tech cobertos por iluminação de cores mutantes, me faz lembrar das pistas do filme Speed Racer. Mas eu tinha algumas dúvidas: será que esta pista, que é própria para os carros atuais (curvas em quina, de 90 graus, etc), proporcionaria disputas como nas anteriores? Vettel seria bi-campeão nesta etapa? Bruno Senna vai andar bem novamente? Massa vai pra cima do Alonso (ele anda melhor neste tipo de circuito)?
Nos treinos, algumas delas já começariam a desaparecer. Na sexta, o que mais chamou a atenção foi o inusitado fato das zebras se soltando. Imperdoável para um país extremamente rígido em organização e controle, onde até chiclete é proibido de mascar. Houve as raladas nos muros e as decolagens nas zebras também para divertir.
No sábado, normal: Vettel disparado na pole. Webber vinha andando bem em todos os treinos e ficou em segundo. Button, Hamilton e Alonso vieram em seguida na casa de meio segundo atrás dos Red Bull. Daí em diante, Massa tomou mais de um segundo de Alonso e ficou em sexto. Atrás dele, Rosberg e Schumacher, com as Mercedes e Sutil e Di Resta, com as Force India fecharam os dez primeiros. Barrichello fez um bom décimo segundo e Bruno Senna, com problemas no setup do carro ficou apenas em décimo quinto, destacando-se que enfiou mais de um segundo no seu companheiro Petrov, que ficou no Q1.


(Hamilton x Massa 1)Faltavam menos de 10 minutos para o final do Q3, quando o Kobayashi decolou na zebra e deu no muro, provocando a interrupção do treino.
No reinicio Massa saiu do Box na frente de Hamilton. Como teriam tempo para somente uma ou duas voltas rápidas, Lewis não quis perder tempo e passou quase por cima de Massa, que não gostou nada. Nem devia mesmo, afinal, tomou um segundo do Alonso.


A corrida


Vettel manteve a primeira posição e disparou. Webber, no Red Bull 2, caiu para a quarta posição. Button e Alonso ultrapassaram o australiano. Hamilton também largou mal e perdeu algumas posições. Enquanto Vettel abria um segundo e meio por volta de Button, Hamilton se recuperava de sua má largada. Passou os dois Mercedes, Schumacher e Rosberg e chegou em Massa. Depois da primeira rodada de Box, Hamilton perseguia Massa.

(Hamilton x Massa 2) Lewis pressionava Massa ferozmente e Felipe procurava fechar todas as portas possíveis. Até que Hamilton forçou por fora, não conseguiu e tocou com sua asa dianteira no pneu traseiro de Massa. Corte no pneu de Massa e asa destruída de Hamilton. Massa se arrastou até o os boxes para trocar o pneu e Hamilton conseguiu chegar mais rápido para trocar a asa.


Hamilton acabou sendo punido com um drive-trought, mas ainda assim chegou em Massa novamente e o ultrapassou, aproveitando-se de um erro de Felipe na saída de curva, onde derrapou um pouco e permitiu que Hamilton saísse mais forte. Lewis ainda chegaria em quinto no final. Massa somente em nono...
Depois, de relevante, teve o acidente do Schumacher, que subiu na Safety Car. Na relargada, Webber passou Alonso em uma linda manobra por fora (a terceira já este ano, será que o Alonso tá virando freguês do Weber?) garantindo seu lugar ao sol, quer dizer no pódio.
E acabou assim: Vettel, Button, Webber, Alonso, Hamilton (colado em Alonso), Paul Di Resta (de Force India, muito bem), Rosberg, Sutil (bem também com a outra Force India), Massa e Peres, que mesmo com acidente de Schumacher chegou na zona de pontuação.

Bruno Senna largou e chegou em décimo quinto (Petrov, seu parceiro de time chegou em décimo sétimo), brigando com um carro que não se deu bem com as ruas iluminadas de Cingapura. Bruno admitiu  que ainda necessita de mais manha de corrida. Nos treinos vem apresentado bons resultados mas nas corridas tem cometido erros típicos de falta de experiência. Já Barrichello ralou pra chegar em décimo terceiro. Continua feia a coisa na Williams.

E foi isso, uma corrida mais ou menos em uma pista muito bonita, mas muito travada. No F1 2011, no PS3, eu pulo na frente na largada e ninguém me passa. Pois ela é assim: bonitinha, mas ordinária (putz! Que falta de criatividade).


Hamilton x Massa 3

Pois é. Teve mais de Massa e Hamilton. Depois da corrida Hamilton estava dando entrevista para a TV inglesa quando Massa chegou deu dois tapas nas costas de Hamilton e disse: Good job man! Good job! Mas ficou só nisso.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

GP da Itália 2011 - Roda à roda

O GP da Itália é uns dos mais antigos de toda a temporada. Monza é de uma época que precede a própria F1. Desde 1922, sedia o Grande Premio da Itália, quando a F1 era conhecida ainda como Grand Prix Championship. Até a década de 60 a pista de Monza era uma mistura de misto e oval, onde os caras atingiam velocidades absurdas. Cenas fantásticas foram rodadas lá para o filme Grand Prix (até hoje uns dos melhores filmes sobre automobilismo já feito). Recomendo assistirem.
O GP de Monza deste ano foi cercado de muita expectativa. Com suas longas retas e o uso da asa móvel, era de se esperar muitas ultrapassagens.  Alguns jornalistas especializados disseram que em Monza o uso da asa móvel não faria tanta diferença, pois os carros usam quase nada de asa.  Já preconizavam uma corridinha chata com poucas e óbvias ultrapassagens. Mas acho que se esqueceram de consultar os pilotos. Nos treinos alguns carros beiraram os 350 Km/h no final da reta dos boxes, mostrando que dava para aproveitar o vácuo. Vettel fez a pole (a de número 25, à frente de Piquet e Stewart) de forma sádica, enfiando meio segundo nele mesmo, que já tinha o melhor tempo. Hamilton conseguiu o segundo no braço mais uma vez. Button em terceiro e Alonso em quarto. Webber, fraco como sempre, em quinto e Massa em sexto. Petrov desta vez foi mais rápido que Senna e ficou em sétimo. Schumacher mais uma vez na frente de Rosberg, e Bruno Senna fechando os 10 primeiros.  Bruno não marcou tempo no Q3. Preferiu ter  o direito de escolher largar com pneu novo e duro. Rubinho ficou em décimo terceiro “struggle like a pig”como ele costuma dizer.
Desde a largada, a corrida foi muito agitada e com ótimos pegas. Alonso, motivado, enfim conseguiu largar muito bem e tomou a liderança, oferecendo um brilhareco para os Tifosi da Ferrari que inundam o autódromo todo ano. Hamilton largou mal e perdeu a posição para Alonso assim como Vettel. Massa largou bem e se aproveitou da má largada de Button e Webber para assumir a quarta posição. Schumacher também jantou os dois e quase passou o Hamilton, mas conseguiu passar o Massa no meio da chicane. Atrás o Liuzzi fez o strike em Petrov e Rosberg. Rubinho entrou sozinho no meio da batida (!?) e ficou parado. Bruno Senna largou mal, de certo com medo de repetir a cagada da corrida de Spa. Pelo menos escapou da confusão, mas caiu lá pra trás. SC na pista.
Na re-largada, Hamilton vacilou e Schumacher passou. Vettel começou a pressionar Alonso ferozmente e Webber tentava passar Massa por fora na freada da chicane. Espalhou, foi pra cima da zebra e na volta acertou a traseira da Ferrari de Massa, fazendo-rodar. Webber quebrou o bico e passou reto bisonhamente na curva Parabólica. Um pouco mais à frente, Vettel meteu por fora do lado de Alonso no curvão feito com pé embaixo, logo depois da primeira chicane. Alonso o empurrou para fora, mas o alemão não se intimidou, botou duas rodas na grama, quase batendo roda com o Alonso e freou lá dentro da segunda chicane, assumindo a ponta.
Mais atrás Hamilton travava um duelo com Schumacher daqueles que sempre será lembrado e relembrado no youtube como uns dos maiores pegas da história. Ok, menos talvez, mas foi animal. Hamilton tentava passar Schumacher de todo lado desesperado. Chegou a ultrapassá-lo na freada da Chicane, mas o Heptacampeão (que usava uma asa que era quase a metade da asa da Mclaren) deu o troco no curvão de pé embaixo, onde Vettel passou Alonso. Button vinha chegando e não só passou Hamilton, se aproveitando de um erro do companheiro, como passou
Schumacher por fora na freada da segunda chicane.
As posições se mantiveram mais ou menos assim até o final.
Mas teve outros pegas como do Alonso com Button, Bruno com Buemi (que fez o Alesi quase arrancar os cabelos e o Galvão soltar outro “ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai”), com uma bela ultrapassagem do brasileiro no final (sim, bela por que foi na raça, freando lá dentro na primeira chicane) e do Hamilton pressionando o Alonso até a última volta. Mas o espanhol é foda. Conseguiu segurar o terceiro lugar no pódio. Button, em outra excelente corrida de recuperação (está se tornando sua especialidade) chegou em segundo e o Bicampeão Vettel comemorou a sua oitava vitória na temporada. Desconfio que já pintaram o número um no seu carro do ano que vem.
Schumacher, depois de lutar (e se divertir) muito chegou em quinto. Massa foi sexto. Bruno Senna marcou seus primeiros dois pontos na F1 em nono. E mostrou uma evolução que corrobora o que eu disse sobre alguns posts abaixo.
Enfim, Barrichello mais uma vez ficou fora dos pontos.
A corrida foi muito boa, contrariando a “imprensa especializada” e mostrou que Monza pode também mostrar que tem “cujones". Apesar da simplicidade do traçado exige muita perícia e sangue frio para frear o mais dentro possível e atropelar as zebras.
Agora é preparar a comemoração do Vettel em Cingapura no próximo fim de semana. O local da festa, dizem, já está reservado.

 

GP da Bélgica – Magic Spa!!!


O GP da Bélgica neste ano evidenciou o que há de melhor no automobilismo: desafios em alta velocidade. Os circuitos de Hermann Tilke são bons para os carros atuais, que fazem curvas, digamos, quadradas (?). Pois é, quadradas! Nos circuitos novos, com muitas curvas em 90 graus, quinas e seções de semi-retas (nossa parece aula de geometria) são feitos para os carros atuais que funcionam melhor quando só tem que frear forte, jogar o carro em cima da zebra e sair acelerando o mais breve possível. Não apresentam curvas longas, que começam abertas e fecham de repente, ou o contrário. E é em pistas assim, como a de Spa e Interlagos (esperem pela melhor corrida no ano em Interlagos!) que os bons pilotos prevalecem.
Depois da impressionante classificação do Bruno Senna no sábado, classificando-se em sétimo à frente de Fernando Alonso (chupa, Alonso!), Bruno Senna cometeu um erro até que esperado na largada. Sem experiência com o carro pesado, largou um pouco mal, se empolgou, deixou pra frear muito tarde, fritou os pneus na freada e deu no meio do Alguersuari. Este tocou no Alonso e quebrou a roda dianteira esquerda de seu Toro Rosso, abandonando a corrida de imediato, depois de alcançar a melhor classificação de grid (sexto, ao lado do Bruno Senna) na F1. Bruno quebrou a asa, levou um drive-through e fudeu sua corrida toda. Mas não apaga o seu belíssimo desempenho no geral. Alonso, sortudo como sempre, nada sofreu e continuou na corrida. Continuou mas tomou pau de todo mundo. A ultrapassagem que tomou do Webber, que é fraco em disputa, foi a mais bonita do ano (é a foto que ilustra este post lá em cima). Na confusão, Rosberg pulou na ponta seguido de Vettel, Webber, Massa, Alonso e Button. As Red Bull estavam com bolhas nos pneus devido ao uso de uma cambagem excessivamente negativa. Pararam logo no início. Na volta Alonso estava na frente e foi surrado por eles. Antes Alonso passou Felipe (freguês) e trouxe consigo o Rosberg.
E o pau comendo! O esquema era subir a Eau Rouge colado no carro da frente, abrir a asa na reta Radillon e deixar pra frear lá no Deus me livre. Mas houve muitos pegas no miolo do circuito também, sem a ajuda da asa móvel. Foram várias durante a corrida inteira, em disputas apertadíssimas, roda a roda, a menos de um fio de cabelo um do outro. Pilotar assim no limite sem tocar ou bater é foda. Lindo de se ver. É impressionante como as disputas na F1 atual são parecidas com aquelas que travamos nos games. Os caras perderam o medo e estão indo pra cima, botando de lado e seja o que Deus que quiser. Até o Webber, mandou bem pra cima do Alonso.
 Alonso saía dos boxes a toda velocidade e atrás vinha o Webber abrindo a volta. Alonso tentou sair fechando o Webber, mas o australiano (que, repito, sempre foi fraco na hora do pega pra capar) não quis nem saber. É isso. Bota de lado, entra junto na curva. Alguém tem que tirar o pé. Se não bate. E o Alonso afinou. Foi linda a ultrapassagem.
No fim o bi-campeão Vettel (sim, já era) venceu mais uma (a sétima em 12 disputadas) e caminha tranqüilo para mais um caneco. Resta aos outros as disputas e os pegas que se divertem o público diverte ainda mais os pilotos.  

Bruno Senna


Em Spa, o que vimos no fim de semana, com treinos em baixo de chuva, foi uma grata surpresa. Sem recorrer àquela ladainha brega da Globo (um Senna, em uma Lotus negra... e biriri, boróró), Bruno Senna realmente mandou muito bem na classificação do GP da Bélgica. Na chuva, os bons pilotos conseguem aparecer, pois é quando o ele tem que provar ter maior controle do carro, onde o equipamento conta um pouco menos e prevalece o talento. Ser mais rápido que seu companheiro de equipe, mais experiente, o russo Vitaly Petrov, já foi bom. Mas ficar à frente do Alonso, foi mais que bom. Tenho mais de trinta de anos de fanatismo, acompanhando a F1 e me sinto seguro em dizer, sem ufanismos: Bruno Senna pode ser o próximo piloto brasileiro vencedor na F1.
Ainda é cedo para dizer, mas mesmo o mais cético há que dar o braço a torcer. Bruno Senna tem muito pouca experiência em carros de corrida. Quando seu tio morreu, ele ainda brincava de kart, sem sequer estar ainda competindo de verdade. Com o choque, a família o convenceu a esquecer a carreira de piloto. Ele então ficou mais de 10 anos parado, até voltar a correr na F-BMW, em apenas algumas corridas. Alguns resultados aceitáveis, para quem estava parado há tanto tempo, e logo se mudou para a respeitada F3 Inglesa em 2005. Lá ele começou a surpreender. Apesar de alguns erros, normais para sua pouca experiência, ele venceu corridas e foi relativamente bem o campeonato inteiro. No ano seguinte, um excelente início. Venceu as três primeiras provas da temporada de F3 daquele ano. Mas a falta de experiência fez com que ele caísse de produção, cometendo alguns erros e tendo problemas para acertar o carro. Ficou em terceiro lugar na classificação. Em 2007 subiu para a GP2, último degrau antes da F1. Venceu corridas também, mas foi em 2008 que ele se estabeleceu. Disputou o título e a sua maior vitória foi em Mônaco, na preliminar da F1. Chegou ao vice-campeonato. Pronto.  Seu nome já estava cogitado em várias equipes (pequenas é verdade).
Em 2009, Bruno estava muito próximo de fechar um contrato com a Honda para substituir o Barrichello. Fizeram um teste entre o Bruno e o Lucas di Grassi. Senna foi o mais rápido e ficou a apenas dois décimos do melhor tempo do piloto oficial Jenson Button. Mas a Honda decidiu se pirulitar da F1 e a equipe se tornou Brawn GP, comandava pelo ex-chefe de Rubinho na Ferrari, Ross Brawn. Que preferiu a experiência de Barrichello em detrimento ao nome Senna que era favorito da Honda. O final todos já sabem, a Brawn fez um carro surpreendente, com o famoso difusor duplo e Button foi campeão e Barrichello perdendo a maior chance de sua vida de ser campeão.
Após um ano parado, fazendo corridas esporádicas aqui e ali, com maior destaque para uma participação nas 24 Horas de Le Mans em 2009, Senna estreou na F1 em 2010. Pela porta dos fundos. A sua equipe, Hispania, não tinha a menor condição de competir na F1. Chegava a ser mais lento que alguns carros da GP2. Portanto um ano que não conta.
Em 2011, fechou contrato com a Renault-Lotus-Genii - que estreava pintura nova inspirada na Lotus Negra JPS de antigamente, como terceiro piloto. Os titulares eram Petrov e Kubica. Mas quis o destino que Kubica se acidentasse em uma prova de Rally na Itália no começo do ano, antes do início da temporada. Alguém precisa substituí-lo. Na insegurança de promover Bruno, contrataram o fraco, mas experiente, Nick Heidfeld (eu sempre disse que ele era fraco). No início, com um pódio na segunda prova todos aclamaram a decisão da Renault como certa. Mas ao longo da temporada Heidfeld, como sempre entregou.
Por tudo isso, por sua carreira meteórica, por toda a pressão que sofre por seu sobrenome, pela sua falta de experiência, mas principalmente pela sua raça e determinação (talvez a maior herança genética de seu tio) é que eu acredito que ele vai chegar lá. Basta que o lado comercial caminhe junto com sua competência, ou seja, tem que saber se vender. Infelizmente a F1 não tem mais espaço para pilotos puros. Tem que ter um lado comercial.
Vamos esperar para ver. Não o comparo ao Hamilton e Vettel, ainda, mas acredito que ele tem esse potencial.