sexta-feira, 20 de julho de 2012

Hockenheimring


Desde a chegada de um certo Hermann Tilke na F1, algo de charme e desafio se perdeu. É inegável que este arquiteto alemão, responsável pelo desenho do traçado de quase todos os circuitos do calendário atual, trouxe mais segurança para a F1, com suas largas áreas de escape asfaltadas e pistas larguíssimas. Mas como todo amante da F1 dos anos 80, aprendi a amar alguns templos como Monza, Suzuka, Spa, Paul Ricard, Silverstone, Interlagos e Hockenheim.
Hockenheim sempre foi um dos meus circuitos prediletos. Veloz, desafiador, com suas longas retas no meio da floresta, onde os carros podiam aproveitar ao máximo o vácuo e sempre proporcionava muitas ultrapassagens e pegas.  Palco de vitórias épicas de Senna, dos pegas com Nigel Mansell, Piquet e sua briga com Eliseo Salazar em 1982, a primeira vitória de Barrichello, conquistada na raça e no braço, com pneus para pista seca na chuva. Vitória essa que marcou também a morte do circuito, pois a partir do ano seguinte a pista seria esquartejada por Hermann Tilke, transformando uma pista desafiadora em um circuito sem graça, sem desafios, chato. Hoje é um dos circuitos mais chatos da F1.
Mas a vida segue e o circuito ainda é capaz de proporcionar boas disputas, como no vídeo abaixo. 





Mesmo que os circuitos mudem, acho que sempre devem conservar seus traçados antigos para quem ainda quiser fazer corridas de macho. Foi então que entrei no Google Earth para ver o que havia sobrado das longas retas de Hockenheim no meio da floresta. Que tristeza! Acabaram com a pista. O mato tomou conta da pista e não há nem sinal de que ali havia uma pista. Por quê? Por que não mantiveram a as retas e chicanes, assim como fazem com o Nordscheleife? Por que destruíram o traçado antigo como fizeram com Interlagos? A velocidade era muito alta? Ainda é em Monza, China, Spa e até nos novíssimos “Tilkódromos” de Coréia do Sul e Índia. Claro que há mais áreas de escape, mas não poderiam melhorar isso em vez de destroçar os circuitos?
Hockenheim jamais voltará ser mítico como um dia foi. O mundo realmente está ficando chato.
Quase me esqueci. Hoje nos treinos livres, mezzo seco mezzo molhado, nada de relevante, pois a chuva quebra qualquer prognóstico. Apenas que Massa vem realmente melhorando, Alonso ainda é o melhor da turma, a McLaren mostrou certa melhora com novas laterais, Toro Rosso e seus pilotos andam bem na chuva, assim como Grosjean, da Lotus (que estreou um sistema de duplo DRS como o da Mercedes, que desloca o ar para a asa dianteira através de dutos internos quando aciona o DRS traseiro) e que Bruno Senna tem sido prejudicado por ter que ceder seu carro para Valteri Bottas nas primeiras sessões de sexta-feira, não tendo tempo de pista suficiente para encontrar melhor acerto.
Vamos aguardar a classificação amanhã para ver quem tem mais garrafa vazia para vender (como se dizia nos anos 80). Se chover de novo, vira loteria.
Abaixo um vídeo clássico para matar a saudade do Old Hockenheim.


sábado, 7 de julho de 2012

Formula Alonso




É difícil de admitir, mas Fernando Alonso é o cara em 2012. Atingiu um patamar de competência e eficiência que o levará ao seu terceiro título neste ano. Sempre disse que Alonso era muito rápido, inteligente, mas faltava big balls nas disputas e ultrapassagens. Hoje ele se redimiu e calou minha boca. Não teve somente big balls, mas sim big heavy steel balls. Largando em uma discreta 11º posição, apesar da mínima diferença para os primeiros do grid, já era esperado que ele fizesse uma corrida de recuperação, buscando ganhar algumas posições nas estratégias de box. Mas bastou dar a largada para ver um Alonso extremamente agressivo, indo pra cima e atropelando todo mundo. Grandes campeões são contemplados com uma dose extra de sorte, mas o fato de Vettel ter abandonado, deixando a vitória de bandeja para Alonso, não diminui seu show. Foi pau puro a corrida toda. Aliás, que corrida!
Após um GP do Canadá um tanto morno, a expectativa era de outra corrida monótona em Valência, como sempre foi. A bela pista de rua montada na zona portuária da cidade é veloz, mas tradicionalmente não oferece muitos pontos de ultrapassagens. Mesmo com as retas longas, estas são na verdade sinuosas, de pé em baixo, portanto difícil de abrir a asa no momento certo. No ano passado este dispositivo não ajudou muito e a corrida foi fraca. Mas desde os primeiros treinos de sexta-feira o que se pronunciava era um equilíbrio espantoso na tabela de tempos. Vettel foi mais rápido quase sempre, mas com mínima diferença, chegando a menos de meio segundo do 1º ao 13º. Na primeira sessão, Pastor Maldonado, da Williams, ficou em primeiro e na segunda sessão à tarde Vettel liderou. Massa e Senna andaram mal na primeira sessão, mas se recuperaram e andaram bem na segunda. Na classificação do sábado, qualquer previsão de grid era impossível, tamanho equilíbrio entre as equipes. Vettel foi mais rápido quase sempre, mas com mínima diferença, chegando a menos de meio segundo do 1º ao 13º. As equipes Red Bull e Mclaren andavam próximos na ponta, com Williams (Maldonado) e Lotus bem próximas. Mas no Q3 Vettel meteu medo na galera, fazendo um temporal, mantendo-se na pole. As Ferrari ficaram no Q2 com Alonso em 11º e Massa em 13º. Bruno Senna levou pau de Maldonado de novo (3º) e largou em 14º.
Na largada, Alonso partiu com tudo e ganhou três posições. Massa veio junto e ganhou duas. 
Aí começou o show de Alonso. Com uma pilotagem muito agressiva, foi escalando o pelotão, passando Hulkenberg e Rosberg por fora. Massa empacou atrás de Di Resta. Aí vale a observação: Alonso chegou e passou Hulkenberg e Rosberg por fora na curva 12. Massa tentou duas vezes ultrapassar Di Resta na mesma curva, por fora, mas afinou e perdeu tempo, deixando Alonso disparar na frente. Se botou de lado vai até o fim. Alguém tem que tirar o pé. Que seja o outro.
Após os primeiros pits (a Mclaren errou de novo com Hamilton), surgiu uma briga ótima entre uns oito carros, todos embolados, com Schumacher e Senna liderando, Webber, Kobayashi, Alonso, Massa, Ricciardo, todo mundo colado, alguns com pneus mais novos como Alonso passavam fácil os demais. Numa dessas, Webber passou Bruno Senna na reta antes da curva 12 (o principal ponto de ultrapassagem) e Kobayashi tentou pegar o embalo. Bruno fechou e arrancou a asa dianteira do japonês. Mas isto fez com que ele tivesse seu pneu traseiro furado e rodou na frente de todo mundo. Controlou o carro muito bem, mas teve que ir para os boxes, se arrastando na pista. Ainda assim Bruno voltou forte e estava se recuperando. Mas aí a direção de prova resolveu puni-lo com um drive-through. Aí ficou difícil. Massa vinha fazendo uma corrida boa corrida até, mas faltava um pouco mais de ímpeto e decisão.
Foi quando Vergne jogou o carro pra cima de Kovalainen, num erro de julgamento, sem maldade, e espalhou pedaços de carro por toda pista. Safety Car in. Todo mundo aproveitou para ir aos boxes e a Mclaren cagou de novo na parada de Hamilton. Alonso passou-o nos boxes e assumiu o terceiro posto, com Vettel em primeiro e Grosjean em segundo.
Na relargada, Alonso foi novamente agressivo. Colou em Grosjean e o ultrapassou por fora na primeira curva. Mas aí Vettel e sua Red Bull começaram a abrir, mostrando que a Red Bull reencontrou o caminho. Mas a sorte acompanha Alonso. Grosjean começa a se aproximar assustadoramente e Vettel abria a cada volta. Mas a Renault falhou com ambos. Vettel parou com problemas no alternador e Grosjean por superaquecimento. Caminho livre para Alonso ganhar e se consagrar com a torcida em casa, com direito a bandeira e parada para descer do carro e saudar a galera. Depois chorou no pódio histórico que teve Raikkonen em segundo e Schumacher em terceiro (seu primeiro pódio após o retorno), totalizando 10 títulos mundiais, com dois de Alonso, um de Raikkonen e os sete de Schumacher.
Com sorte ou sem sorte, Alonso é realmente o melhor da geração atual.         
Foi a melhor corrida do ano! Ultrapassagens sem precisar usar a asa móvel, no braço e na raça e vários pegas: Raikkonen x Hamilton, Massa x Di Resta, Schumacher x Grosjean x Raikkonen, Maldonado... Poderia ter feito uma bela prova, já que largou em terceiro, mas foi ficando para trás a te encontrar Hamilton no final. Após bela briga, ele tentou por fora de Hamilton na curva 12. Lewis não aliviou e bateu, sendo arremessado ao muro. Puto da vida esmurrou o volante várias vezes e o atirou longe, ciente do prejuízo. Maldonado acabou sendo punido com 20 segundos no tempo final e deixou a décima posição final para seu companheiro Bruno Senna, marcando assim mais um pontinho para o brasileiro.
Agora a expectativa para Silverstone na Inglaterra. Se tiver metade da emoção deste já estará bom.






terça-feira, 19 de junho de 2012

GP do Canadá


O plano era sair domingo cedo. Queria assistir a corrida em casa. Feriado de quatro dias, estradas cheias, motoristas inexperientes fazendo todo tipo de m... Tínhamos que retornar cedo à São Paulo. Não poderia perder a corrida. Afinal, depois de um GP de Mônaco modorrento como sempre (exceção a excelente corrida do ano passado), a expectativa para Montreal era grande.
Ah, Montreal! Circuito Gilles Villeneuve! Nome muito propício para um circuito fantástico. Montado na Ilha de Notre Dame, construída especialmente para as Olimpíadas de 1976, é uns dos circuitos antigos que dá mais prazer de pilotar. Ao lado de Interlagos, Spa, Mônaco e Suzuka combinam os fatores que desafiam os pilotos, onde o piloto consegue participar com pelo menos uns 20% no desempenho do carro (em algumas pistas a proporção é 90% carro e 10% piloto). Curvas de alta, chicanes agressivas onde os carros devoram as zebras e saltam de um lado ao outro, buscando passar cada vez próximo do muro, até raspar para encontrar o limite. Como no famoso muro dos campeões na entrada da reta de chegada, que tem esse nome por receber bagaçadas de ilustres como Michael Schumacher, Jacques Villeneuve (o filho) e que neste ano, dentre os que deram ali, um sobrinho de campeão. Nos treinos ele entrou de lado na primeira perna da chicane e ao tentar controlar deu traseira no dito cujo, arrebentando o carro do lado direito. Se ele estivesse girando bons tempos seria perdoável, mas Bruno só se arrastou durante todo o fim de semana.
O treino classificatório, aliás, foi disputadíssimo. Em todos os “Qs” a pole mudava de posição a cada carro que passava na linha de chegada por pentelhésimos de segundo.  No Q2 a diferença entre o 1º e o 16º não passou de 01 segundo. No Q3 todos os 10 ficaram dentro de um segundo.

1
Sebastian VETTEL
ALE
Red Bull Renault
1:13.784
2
Lewis HAMILTON
ING
McLaren Mercedes
1:14.087
3
Fernando ALONSO
ESP
Ferrari
1:14.151
4
Mark WEBBER
AUS
Red Bull Renault
1:14.346
5
Nico ROSBERG
ALE
Mercedes
1:14.411
6
Felipe MASSA
BRA
Ferrari
1:14.465
7
Romain GROSJEAN
FRA
Lotus Renault
1:14.645
8
Paul DI RESTA
ESC
Force India Mercedes
1:14.705
9
Michael SCHUMACHER
ALE
Mercedes
1:14.812
10
Jenson BUTTON
ING
McLaren Mercedes
1:15.182
11
Kamui KOBAYASHI
JAP
Sauber Ferrari
1:14.688
12
Kimi RÄIKKÖNEN
FIN
Lotus Renault
1:14.734
13
Nico HÜLKENBERG
ALE
Force India Mercedes
1:14.748
14
Daniel RICCIARDO
AUS
Toro Rosso Ferrari
1:15.078
15
Sergio PÉREZ
MEX
Sauber Ferrari
1:15.156
16
Bruno SENNA
BRA
Williams Renault
1:15.170
17
Pastor MALDONADO
VEN
Williams Renault
1:15.231
18
Heikki KOVALAINEN
FIN
Caterham Renault
1:16.263
19
Vitaly PETROV
RUS
Caterham Renault
1:16.482
20
Jean-Éric VERGNE
FRA
Toro Rosso Ferrari
1:16.602
21
Pedro DE LA ROSA
ESP
HRT Cosworth
1:17.492
22
Timo GLOCK
ALE
Marussia Cosworth
1:17.901
23
Charles PIC
FRA
Marussia Cosworth
1:18.255
24
Narain KARTHIKEYAN
IND
HRT Cosworth
1:18.330

TEMPO 107%
Q1

1:19.887

































Massa, como sempre tomou de Alonso, apesar de andar muito próximo o fim de semana todo e Bruno Senna teve um fim de semana para esquecer. Tá meio desconcentrado com a sombra de Maldonado, que tem sido constantemente mais rápido. Foi de Maldonado a cena mais bacana do treino:



                          


A corrida

A expectativa de uma largada movimentada deixava o momento tenso. Tensão explícita na cara dos chefes de equipe, principalmente de Adrian Newey, criador dos Red Bull.
Porém a largada foi tranquila. Todos mantiveram suas posições. Vettel manteve a ponta e abriu na frente. Rosberg tentou por fora de Webber na primeira chicane e não conseguiu, ficando vulnerável para Massa. Esse foi o principal momento do início da corrida. Massa atacou agressivamente Rosberg que se defendeu ferozmente por duas voltas, até Massa aproveitar o vácuo e o kers na reta para passar e abrir. Rosberg foi ficando para trás com seus pneus precocemente gastos.
Mas na volta seguinte Massa rodou sozinho na primeira curva e perdeu várias posições. Massa não é um piloto de recuperação. Parece que quando algo dá errado ele desanima. Contrário de Alonso que sempre procura ser rápido até a última volta, não importa a posição que estiver. A expressão de Felipe e sua frase para definir seu erro, na entrevista no final da corrida, diz tudo sobre sua situação: “Na verdade, fiz uma grande m...! Peço desculpas ao time pelo meu erro!” Fica claro que ele está ciente que isto só serviu para aumentar ainda mais a gigantesca pressão que vem sofrendo.
Bruno Senna não fez nada e chegou em 17º. Atrás de Maldonado que havia sido punido, largou atrás dele e chegou à sua frente. Sem comentários. Maldonado também não vem conseguindo repetir o desempenho que tinha até sua espetacular vitória na Espanha. Parte por ele e parte por o carro não ter evoluído e já não ter um desempenho parelho com as equipes de ponta.
O meio da corrida foi chato, como disse Jacques Villeneuve na entrevista na TV. Somente nas primeiras paradas houve agito. Vettel perdeu a liderança para Hamilton, que perdeu para Alonso, em um ótimo trabalho de Box da Ferrari e destreza do piloto. Alonso acelerou tudo e mais um pouco na saída dos boxes e tomou a ponta de Hamilton que vinha abrindo a segunda volta dos pneus. Hamilton, claro atacou Alonso. Opa, agora a corrida vai esquentar, pensei. Mas Alonso, definitivamente não é de briga. Hamilton passou com certa facilidade e abriu. Vettel se manteve em terceiro.
Hamilton parou mais uma vez para trocar pneus e voltou em quinto, crente que Vettel e Alonso também parariam. Foi quando foi avisado pelo rádio que Alonso talvez não parasse mais. Aí começou a acelerar. Estava a 16 segundos de Alonso e faltavam dez voltas. Faltando Cinco ele colou e passou fácil Vettel que, sem pneus, não ofereceu resistência. Duas voltas depois passou Alonso e voltou à ponta. Vettel foi pros boxes e Alonso continuou na pista. Faltando duas voltas, os pneus de Alonso acabaram em definitivo e começou a perder posições. Perdeu para Grosjean (2º), para Peres (3º) e até para Vettel (4º), chegando em quinto no final. Massa também tentou esticar a durabilidade dos pneus e perdeu várias posições, sendo obrigado a parar para mais um troca chegando em décimo. Senna chegou em 17º. Precisa melhorar urgente.
Hamilton foi o sétimo vencedor em sete etapas e fez uma bela corrida, comemorando muito no final e comparando com sua primeira vitória, exatamente neste circuito, em 2007 seu ano de estréia. O pódio foi dos mais alegres, pois Romain Grosjean (Lotus) em 2º e Sérgio Perez (Sauber) em 3º chegaram mais longe que esperavam, diferente de alguém que achava que poderia ter ganho e não se contentou com o pódio.
A corrida não foi das melhores mas teve lá suas disputas e raspadas no muro dos campeões. Já a próxima, nas ruas de Valência, Espanha, não desperta muita expectativa. E eu começo a treinar nela virtualmente nesta semana. Até que para pilotar não é ruim.
Esperamos por um oitavo vencedor diferente nesta temporada que tem sido uma das mais espetaculares de todos os tempos. Ainda faltam mais disputas, mas a receita de kers, asa móvel (a do Schumacher travou aberta durante a corrida e ele teve que abandonar) e pneus com desgaste imprevisível tem colaborado para este cenário. Só falta os brasileiros entrarem nesta festa. Basta acelerar e se concentrar somente nisto. Acelerar, comparar com o companheiro de equipe, treinar no simulador e acelerar sem dó, medo ou piedade.
Caso tenham ficado com preguiça de ler, segue abaixo um ótimo resumo da corrida em vídeo.
Até a próxima.





sexta-feira, 25 de maio de 2012

Bem feito!

Quando sonhava em ser jornalista automobilístico a dúvida que me acometia era: será que terei liberdade para escrever a verdade sobre os carros no Brasil? Naquela época (meados da década de 90) a internet estava apenas engatinhando e não havia outros meios de comunicação senão revistas, jornais, rádio e TV. Mas hoje existem os blogs e qualquer um pode expressar suas opiniões. E hoje preciso expressar a minha. Na verdade não é apenas minha opinião, mas sim uma constatação que muitos canais de mídia não têm coragem de abordar a fundo: Os carros nacionais não valem nem a metade do que são cobrados por eles.
O governo acaba de anunciar, mais uma vez, a redução de IPI para carros novos. Aí vejo nos anúncios das montadoras na mídia se vangloriando de conceder descontos de até 10%. O povo, desinformado que é, vai correndo às concessionárias comprar carros, se endividando irresponsavelmente apenas para mostrar sua nova carroça 1.0 para o vizinho ou para os companheiros de trabalho.
Acordem gente! Não foi o governo que teve a ideia de reduzir o imposto para facilitar a compra do bem pela população. Na verdade houve uma pressão das montadoras sobre o governo para que isso acontecesse, uma vez que as vendas de carros novos, principalmente os populares, despencaram. Já existem carros parados nos pátios para até 43 dias de venda.  Esta atitude do governo é leviana e recai sobre ele mesmo, pois a população continuará a achar que o alto preço cobrado pelos carros aqui é só em decorrência do imposto. De quem é a culpa então? Das próprias montadoras! A ganância e a alienação da população brasileira faz com que as montadoras forneçam produtos de baixíssima qualidade com preços maior que carros melhores nos países desenvolvidos. Como podemos pagar mais de US$ 12.000,00 em carroças que sequer possuem ar condicionado e direção hidráulica? Como podem cobrar em torno de US$ 3.000,00 por opcionais como ABS e Air Bag? Estes itens, que serão obrigatórios aqui a partir de 2014, já são muito populares nos carros “básicos” dos europeus, americanos, chineses, mexicanos e até argentinos.
A verdade é que as montadoras exploram e desrespeitam descaradamente o consumidor brasileiro. Nenhuma delas tem coragem de abrir suas planilhas de custo. Certa vez, em visita ao Brasil, o presidente mundial da Honda foi questionado em uma coletiva de imprensa, por que o Civic (um carro popular em todos os mercados menos no Brasil) custa tanto quanto um carro de luxo. Após pensar muito ele respondeu: “Por que os brasileiros pagam”. Depois disso desisti de ter um Civic, que era meu sonho. Nenhum carro vendido aqui vale o quanto custa. Ford Focus, VW Golf, Chevrolet Cruze, Honda Civic, todos os Honda fabricados aqui, Fiat Bravo, Toyota Corolla, Hyundai i30 e Elantra são e sempre foram carros populares de baixo custo nos demais países onde são vendidos. /aqui são considerados carros de luxo. No caso da Hyundai, a Caoa é que comete o crime de vender aqui um carro de mais de R$ 70.000,00 (Elantra) sem se quer ter freios a disco traseiros. Um enorme absurdo que os consumidores engolem, só para aparecer com um modelo recém-lançado.
Já os populares, carroças como Gol GIV, Uno antigo, Celta, Clio, são carros péssimos, inseguros, verdadeiras bombas relógio. Todos foram sumariamente reprovados nos crash test do LatinNcap, o órgão responsável, equivalente ao EuroNcap europeu, que realiza os testes de segurança nos carros fabricados na América Latina. Fora os carros que estão em dia com os modelos fabricados lá fora que foram empobrecidos estruturalmente para serem fabricados aqui, como o Focus e o Nissan March.  Deveriam ser proibidos de vender. Os frotistas, que são os maiores compradores dessas carroças, deveriam por a mão na consciência e reconhecer que colocam a vida de seus funcionários em risco comprando carros tão ruins assim. Acho um absurdo ainda existir carros que não saiam de fabrica sem ar condicionado e direção hidráulica. Nas grandes metrópoles deste país quente, ficar parado no trânsito sem ar condicionado tira a motivação de qualquer um. Pensem nisso, diretores de empresas que possuem frotas de carros populares pelados.
Vamos deixar de ser idiotas e dar um basta nesta farra do boi que as montadoras fazem aqui. Vamos parar de comprar carros, vamos manter nossos carros usados por mais tempo e fazer com que as montadoras sintam o baque. Se grande parte dos consumidores adiarem a compra do carro novo por pelo menos um mês já terá um impacto considerável. Quem sabe assim as montadoras tomem vergonha na cara! Pois o que falta é isso!
 Só para ilustrar, em uma viagem á Europa eu decidi alugar um carro. Pedi à locadora o veículo mais barato e básico que ela tinha. Eles me ofereceram o carro mais simples que tinham: Um VW Golf TDI, com motor diesel turbo de 150cv, câmbio automático, com ar condicionado, direção elétrica.... Pois é....